22 janeiro 2009

Reflexão de um Tuno

"(...) Fazer memória é dever de todos nós, enquanto estafetas de história e estórias. Todos somos chamados a passar um legado e a transmitir aos vindouros o que recebemos e acrescentamos enquanto protagonistas ou meros narradores homodiegéticos.

Somos o que somos também em função do que outros foram antes de nós e cabe-nos o papel de preservar uma tradição e um registo histórico e vivo das nossas vivências, feitos e experiências. Dizia Arthur Rimbeau que “as pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados”, o que julgo acertadíssimo.

Falava, há tempos, o meu amigo e distinto Ricardo Tavares, sobre a falta que faz termos um museu, um refúgio e repositório que fizesse, continuamente, a ponte entre a obra feita e a que se vai fazendo. Falava, e bem, na necessidade de um lugar-comum que recebesse a nossa história, o nosso modus vivendi; que perpetuasse, no tempo, o cunho e a marca que as Tunas imprimem na sua diegese e, por conseguinte, na narrativa tunante nacional. (...)

Os saberes e os factos, os documentos e registos vários (áudios, vídeos, iconográficos, documentais...) continuam dispersos (sites, blogues, fóruns…) e, muitas vezes, totalmente esquecidos nos baús particulares de muito boa gente ou nos arquivos mortos de muita associação académica ou das próprias tunas.
Urge, de facto, como dizia o Ricardo Tavares, um esforço de compilação e agregação de todo esse legado e material histórico, não apenas com vista à mera divulgação, mas ao próprio estudo do mesmo. (...)

Ainda assim, e apesar dos esforços desenvolvidos, falta a maior das colaborações: a dos Tunos, a das Tunas.
Às Tunas assiste o dever de fazer memória, promover e divulgar o que fazem, permitindo um conhecimento mais real e factual das actividades que desenvolve, e do contributo dado à nossa comunidade tunante. (...)

A conclusão pode ser-nos dada pelo nosso bem conhecido Virgílio Ferreira que nos lembra: “Guarda o passado, se não tens já futuro. Porque se também o perderes, o presente que te restar é o da pia, que não tem tempo algum”."

J.Pierre da Silva
in PortugalTunas, Crónica Tunesca III

2 comentários:

J.Pierre Silva disse...

Grato pela citação, convido a outros artigos e estudos sobre tunas em: http://notasemelodias.blogspot.com/

Rolls disse...

De nada Pena :) iremos espreitar com toda a certeza.